Durante o estudo, foram analisadas 155 bebidas populares, incluindo chá, café, sumos, refrigerantes e bebidas energéticas, tanto frias como quentes.
A presença de microplásticos na vida das pessoas tornou-se uma realidade preocupante. Embora o seu impacto seja associado à água potável, novos estudos mostram que essa ideia é limitada.
Um estudo recente da Universidade de Binghamton, publicado pelo The Independent, concentrou-se num aspeto quotidiano, mas pouco estudado: as bebidas que consumimos diariamente.
O estudo analisou 155 bebidas populares, incluindo chá, café, sumos, refrigerantes e bebidas energéticas, tanto frias como quentes. Os resultados mostraram que as bebidas quentes, especialmente chá e café, contêm mais microplásticos do que as suas versões frias.
O chá quente liderou a classificação com 49-81 partículas por litro, seguido pelo café quente com 29-57 partículas. Em contraste, as bebidas gaseificadas apresentaram níveis muito mais baixos, apenas 13-21 partículas por litro.
Por que as bebidas quentes contêm mais microplásticos?
O estudo aponta os copos descartáveis como a principal fonte de poluição. O calor parece acelerar a liberação de microplásticos do material do copo para o líquido.
Os tipos de chá mais caros, servidos nesses copos, foram os mais contaminados. Isso sugere que o problema não está apenas na composição da bebida, mas também na forma como ela é servida.
Uma das conclusões mais importantes do estudo é a crítica à avaliação limitada do risco, baseada apenas na água potável. «As pessoas não bebem apenas água durante o dia», observam os autores. Esta afirmação ganha ainda mais força quando se considera que muitas pessoas consomem várias bebidas ao longo do dia, sem suspeitar que estão a ingerir partículas de plástico invisíveis.
Em vários estudos, o microplástico foi encontrado em órgãos humanos como o cérebro e os testículos, o que suscita preocupações quanto ao seu impacto a longo prazo.