Um estudo da ECOPLAS e da CAIRPLAS revelou que, em 2024, foram recicladas 263 500 toneladas de plástico em Portugal. Além disso, aponta para a necessidade de políticas públicas para estimular o seu crescimento.
Novo indicador de reciclagem de plástico em Portugal: uma oportunidade para o renascimento da economia circular.Em Portugal, foram recicladas mecanicamente 233 200 toneladas de plástico, e outras 30 300 toneladas foram utilizadas em fornos de cimento em 2024.
Estes dados foram divulgados no último Índice de Reciclagem de Plásticos, apresentado em conjunto pela Ecoplas, uma associação civil especializada em plásticos e ambiente, e pela Câmara Portuguesa de Reciclagem de Plásticos (CAIRPLAS).O re
latório mostra que, no ano passado, foi reciclado menos plástico em comparação com os anos anteriores. No entanto, a proporção de plástico reciclado em relação ao consumo total nesse período aumentou de 14% para 17%, o que indica um aumento da eficiência. Além disso, foram identificadas novas empresas de reciclagem, o que demonstra a adaptação e o desenvolvimento neste setor. Saiba mais Não deite fora as malas velhas: com estes truques, poderá reciclá-las em elementos de design para a casa Como reutilizar uma frigideira enferrujada e transformá-la num objeto decorativo para a casa Índice de reciclagem de plásticos em Portugal.Para contextualizar: até 2023, o setor de reciclagem de plásticos em Portugal apresentou um crescimento notável, com mais de 4 milhões de toneladas de resíduos reciclados desde 2003 e a consolidação da cadeia produtiva, que atualmente reúne mais de 190 empresas e 50 mil postos de trabalho diretos e indiretos.
No entanto, 2024 foi um ano de viragem: embora a taxa de reciclagem tenha aumentado, o volume total diminuiu.
Assim, atualmente, a indústria de reciclagem de plásticos opera com mais de 50% da sua capacidade não utilizada: é necessário aumentar e melhorar a triagem de resíduos e a procura por plástico reciclado para a produção de novos produtos. A isto acresce a situação internacional, em que o plástico virgem é oferecido a preços mais competitivos, o que impede a introdução da reciclagem nos processos de produção.
No entanto, estas dificuldades devem ser interpretadas como uma conjuntura de mercado que pode e deve ser alterada através de políticas públicas e decisões empresariais orientadas para um futuro sustentável.
Até 2023, o setor de reciclagem de plásticos em Portugal apresentou um crescimento notável, com mais de 4 milhões de toneladas recicladas desde 2003.
Reciclagem: motor do desenvolvimento económico e social
O índice mostra que a reciclagem de plásticos é muito mais do que uma prática ecológica: é um motor do desenvolvimento económico e social.
Verónica Ramos, diretora executiva da Ecoplas, comentou: «Cada tonelada reciclada reduz a carga nos aterros sanitários, enviando para lá recursos recuperáveis, como o plástico, e cria empregos em diferentes etapas da cadeia, desde a recolha seletiva até à reciclagem industrial». Assim, ela afirma que o fortalecimento dessa cadeia não só é fundamental para a competitividade local, mas também contribui para estimular as exportações, que podem gerar receitas em moeda estrangeira por meio de produtos de valor agregado.
Neste contexto, a Ecoplas destaca a importância de promover a lei de responsabilidade alargada do produtor (REP) para embalagens, que já foi adotada em vários países e obriga os fabricantes de embalagens a assumirem a responsabilidade pela sua eliminação após o
consumo. Por esta razão, a sua implementação em Portugal seria um passo decisivo para garantir que os esforços individuais dos cidadãos e o empenho da indústria conduzam a resultados sistémicos, com uma maior quantidade de materiais reciclados a regressar ao ciclo de produção.
A Ecoplas sublinha a importância de avançar para a aprovação da lei sobre a responsabilidade alargada do produtor (REP) para as embalagens.«A reciclagem de plásticos em Portugal é uma história de conquistas, mas também de desafios.
Temos uma indústria pronta, infraestrutura e conhecimento técnico que precisam de mais coordenação e um quadro regulatório adequado. Apostar na utilização de materiais reciclados é apostar no emprego, na competitividade e num desenvolvimento mais sustentável do país», af
irma Ramos.A experiência dos últimos 20 anos mostra que as plásticos podem deixar de ser resíduos e tornar-se recursos. Agora, o desafio é criar as condições necessárias para que a economia circular se torne não só um compromisso ambiental, mas também um motor da recuperação da produção em Portugal.