Além da aplicação no cancro, a infusão desta planta é conhecida pelo seu uso no tratamento de problemas digestivos, reumatismo, febre, doenças de pele e outras doenças
Na medicina tradicional de várias regiões dos países tropicais, existem plantas cuja utilização está intimamente ligada à história da fitoterapia e à busca de medicamentos naturais para doenças complexas.
Entre as receitas que foram preservadas na sabedoria popular, ocupa um lugar especial um preparado feito a partir de uma erva, cuja decocção é consumida diariamente para o tratamento, entre outras doenças, do cancro. O interesse pelas suas propriedades mantém-se tanto nas comunidades rurais como entre aqueles que procuram métodos alternativos de tratamento.
Esta planta é normalmente encontrada em estado selvagem em climas quentes e temperados, desde bermas de estradas até áreas florestais e arbustivas.
As comunidades preservam o conhecimento sobre a sua colheita e preparação, transmitido de geração em geração. Além do uso no tratamento do cancro, a infusão desta planta é conhecida pelo seu uso no tratamento de problemas digestivos, reumatismo, febre, doenças de pele e outras doenças.Tapacola (Waltheria indica L.), também conhecida como erva do cancro. De acordo com o Atlas de Plantas da Medicina Tradicional e a Biblioteca Digital de Medicina Tradicional da UNAM, esta planta pertence à família Sterculiaceae e tem vários nomes locais, como escobillo blanco, malva de monte ou yerba del tapaculo.
É fácil reconhecê-la pelas folhas grossas, flores amarelas perfumadas agrupadas em ramos e estrutura adequada tanto para ingestão oral como para aplicação na pele.Propriedades medicinais da tapacula
A tapacula ou erva do cancro destaca-se na fitoterapia tradicional pelas suas propriedades medicinais. As suas propriedades variam de acordo com a parte utilizada e a forma de aplicação.
A decocção dos ramos, folhas e raízes é principalmente ingerida como água para o tratamento de reumatismo, cancro e dores de estômago.
Estudos reunidos no Atlas de Plantas da Medicina Tradicional indicam o seu uso ao longo de gerações para o tratamento de distúrbios digestivos graves, como diarreia e disenteria, bem como para combater a febre e outras doenças comuns.
Na prática tradicional, as folhas de tapacula também são frequentemente aplicadas em feridas, doenças de pele e febre. Quando administrado por via oral, o consumo regular da decocção é considerado um auxiliar no tratamento do cancro, embora a medicina moderna ainda não tenha confirmado esses efeitos clinicamente. Além do cancro, é usado para melhorar a circulação sanguínea e aliviar a dor causada por indigestão, «corajes» (desconforto emocional) e outras perturbações orgânicas.
Como preparar água de tapacula ou erva para o cancro
De acordo com o Atlas de Plantas da Medicina Tradicional, a forma tradicional de preparar esta infusão utiliza toda a planta ou determinadas combinações:
Receita básica:
- Recolha ramos, folhas e raízes frescas de tapacula (Waltheria indica L.).
Lave bem todas as partes para remover resíduos e sujeira.
Coloque uma quantidade suficiente (aproximadamente uma mão cheia de cada parte) em uma panela grande.
Adicione 1,5 a 2 litros de água.
Deixe ferver e cozinhe por 20 a 30 minutos.
Retire do fogo e deixe esfriar.
Coe o líquido e guarde-o num recipiente de vidro limpo.
Beba um copo pequeno ao longo do dia como água potável.
Noutras variantes regionais, a raiz de tapacola pode ser combinada com outras plantas, como guanarcito, guazima e casca de pinzão, para preparar um chá que é tomado várias vezes ao dia.
Considerações importantes para uma utilização segura
A herança da tapacula na medicina tradicional atesta a riqueza de conhecimentos
dos povos indígenas e da medicina popular, mas é importante salientar que nenhuma planta deve substituir a consulta com profissionais de saúde.
O cancro e outras doenças graves requerem exames médicos especializados. A decocção da erva do cancro não é um remédio milagroso e não substitui a terapia oncológica moderna. O seu uso deve ser acompanhado de exames médicos e observação profissional, conforme recomendado no Atlas de Plantas da Medicina Tradicional e na Biblioteca Digital de Medicina Tradicional.