Os investigadores identificaram diferenças no valor nutricional das diferentes partes da planta e descreveram em detalhe como cada uma delas pode fornecer ao organismo as substâncias necessárias
A couve, também conhecida como couve-lombarda, tornou-se nos últimos anos um dos vegetais mais populares da família das crucíferas.
Este vegetal continua a ser um dos favoritos para quem procura melhorar a qualidade da sua dieta e aumentar o consumo de antioxidantes. No entanto, a escolha do tipo de folha pode ser decisiva.
Os investigadores demonstraram que as folhas internas e externas da couve têm composições bioquímicas e propriedades nutricionais diferentes. Os resultados foram publicados na revista Physiology and Molecular Biology of Plants.
Os dados mostram que as folhas internas da couve contêm mais glucosinolatos, compostos associados a efeitos anticancerígenos, enquanto as folhas externas contêm mais antioxidantes, como polifenóis, flavonóides e ácido ascórbico.
A diferença no valor nutricional das folhas é determinada pelo estágio de desenvolvimento e pela exposição à luz.
«O nosso trabalho mostra que as folhas internas da couve têm um alto teor de glucosinolatos, que têm um potencial efeito anticancerígeno», observam os investigadores da Universidade de Jixi e do laboratório provincial de Heilongjiang, na China.
Por sua vez, testes laboratoriais mostram que as folhas externas contêm níveis mais elevados de antioxidantes, necessários para neutralizar os radicais livres no organismo.
«A escolha de determinadas folhas pode ajudar a maximizar benefícios específicos para a saúde humana», esclareceram.
Um vegetal com uma longa história e presença global
A couve é originária da parte oriental da Turquia. O seu cultivo espalhou-se pela Europa durante o primeiro milénio e teve uma influência notável nos hábitos alimentares de muitos países europeus.
Só na década de 1980 é que passou a fazer parte da dieta habitual dos lares e restaurantes americanos.
Atualmente, a couve faz parte do cardápio de restaurantes, publicações sobre alimentação saudável e dietas recomendadas por nutricionistas. Essa popularidade se deve, entre outras coisas, à sua riqueza em glucosinolatos, vitaminas C e A, cálcio, β-caroteno e fibra. Além disso, contém minerais e possui alta capacidade antioxidante.
Como foi realizada a pesquisa sobre a couve
Para comparar as propriedades benéficas, a equipa de pesquisadores selecionou duas variedades de couve e dividiu as folhas em internas e externas, dependendo da sua posição na planta.
As folhas mais jovens e centrais foram classificadas como «internas», enquanto as folhas localizadas na borda externa foram classificadas como «externas».
Para medir a quantidade de compostos biologicamente ativos, foram utilizados métodos laboratoriais precisos, incluindo espectrofotometria, cromatografia e análise molecular.
Além disso, foram avaliados o tamanho e a densidade das células estomáticas, responsáveis pela troca gasosa nas folhas.
O estudo mostrou que as folhas internas contêm quantidades elevadas de glucosinolatos (GSL), que influenciam a defesa natural da planta e contribuem para a prevenção de doenças como o cancro.
Os cientistas observam que «as folhas externas apresentavam índices mais elevados de polifenóis, flavonóides e ácido ascórbico», substância também conhecida como vitamina C.
Outra descoberta importante é que a atividade antioxidante, medida pelo teste DPPH, foi maior nas folhas externas. Isso reflete o facto de que essas partes da couve são mais adequadas para combater o stress oxidativo no organismo.
Por outro lado, as folhas internas são a melhor fonte de compostos com ação anticancerígena, de acordo com dados genéticos e bioquímicos apresentados pelo grupo chinês.
A explicação para essas diferenças está no estágio de desenvolvimento das folhas e na quantidade de luz que elas recebem.
«A distribuição dos metabolitos na couve depende principalmente do estágio de crescimento da folha», observa a publicação.
Assim, enquanto as folhas externas absorvem mais luz e sintetizam antioxidantes para se protegerem do ambiente, as folhas internas concentram os compostos destinados a proteger o crescimento de novas folhas. Em conclusão, sabe-se agora que a escolha das folhas de couve é fundamental e que a sua consideração pode servir de base para a tomada de decisões informadas, tanto na culinária como na indústria alimentar e farmacêutica.